Inspiração em algo faz parte da vida de todos. Não fazer da inspiração
uma cópia, no entanto, é só para alguns.
Vivemos uma fase do rock produzido em São Luís em que não basta ser fã
do ídolo, tem que ser igual a ele.
Andam celebrando que este rock finalmente encontrou sua essência
autoral, depois da fase das bandas de bares. Autoral, pois sim, mas só se for
em relação aos autores já consagrados...
Ainda há, entre crítica e público, remanescentes da mentalidade de que
originalidade e fuga do lugar comum são critérios de avaliação positiva de uma
obra cultural. Mas estão cada vez mais raros.
O que vemos na São Luís do século XXI é uma subversão: quanto mais
parecido é o artista com seu ídolo, mais cultuado ele é.
Há duas hipóteses igualmente aterradoras. Seria o público ignorante
quanto à existência dos originais copiados ou seria o público consciente disso
e, justamente por isso, cultuador das cópias?
O fato é que bandas que buscam compor e arranjar para somar ao já
existente, propondo essência própria, estão perdendo espaço para bandas que
buscam compor e arranjar igual ao já existente.
A voz, teoricamente marca da identidade pessoal, tem sido disfarçada para
tornar-se outra identidade, a do ídolo.
Uma questão geracional talvez. Vocalistas trintões têm em sua memória
dezenas de timbres de rockstars e sabem situar sua voz em um lugar ainda
inabitado. Garotos de 20 anos começaram a conhecer música outro dia e ainda só
conhecem meia dúzia de frontmen, gostam de um e simplesmente não conseguem
cantar diferente dele.
apoiadíssimo!!! Quanto mais igual ao artista que já se escuta em casa, melhor, nada como o culto ao pseudo-intelectualismo do rock dos "chinelos de dedos" e mulambentos. O que impera é: "pra que se dar ao trabalho de conhecer e ouvir sons diferentes?". Pensar e refletir são dois verbos que estão caindo em desuso na prática... Somos reféns do imediatismo e da lei do menor esforço. Haja implicação e desejo para fazer música autoral e tocar em banda que dura mais que uma estação.
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